ISSN (on-line): 2177-9465
ISSN (impressa): 1414-8145
Escola Anna Nery Revista de Enfermagem Escola Anna Nery Revista de Enfermagem
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SCIELO
REDALYC
MCTI
Ministério da Educação
CAPES

Volume 18, Número 2, Abr/Jun - 2014



DOI: 10.5935/1414-8145.20140028

PESQUISA

Intervenção educativa sobre violência com adolescentes: possibilidade para a enfermagem no contexto escolara

Waldemar Brandão Neto 1
Andrea Rosane Sousa Silva 1
Antonio José de Almeida Filho 2
Luciane Soares de Lima 3
Jael Maria de Aquino 1
Estela Maria Leite Meirelles Monteiro 3


1 Universidade de Pernambuco. Recife - PE, Brasil
2 Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro - RJ, Brasil
3 Universidade Federal de Pernambuco. Recife - PE, Brasil

Recebido em 25/05/2013
Reapresentado em 22/01/2014
Aprovado em 01/02/2014

Autor correspondente:
Waldemar Brandão Neto
E-mail: brandaonetow@gmail.com

RESUMO

Este estudo objetivou realizar uma intervenção educativa com adolescentes sobre a violência no contexto escolar, utilizando a metodologia de Círculos de Cultura.
MÉTODOS: Pesquisa-ação, de abordagem qualitativa, realizada em outubro de 2011. A coleta de dados incluiu: observação participante com diário de campo, registro fotográfico e filmagem, e, como produção do grupo, teatro de fantoches. Participaram 12 adolescentes de uma escola pública do Recife-PE. Para análise, recorreu-se à triangulação de dados em diálogo com a literatura.
RESULTADOS: A problematização proporcionada pelo Círculo de Cultura permitiu aos adolescentes desvelar as diversas faces de manifestação da violência, mediante situações de agressão física e verbal entre os membros escolares, ameaças contra o professor e violência contra o patrimônio, até aquelas formas simbólicas envolvendo práticas de constrangimento.
CONCLUSÃO: A intervenção de educação em saúde abriu possibilidades para inserção da(o) enfermeira(o) no cenário escolar a fim de fortalecer articulações em rede para o trabalho de prevenção à violência.


Palavras-chave: Violência; Saúde escolar; Adolescente; Educação em saúde; Enfermagem.

INTRODUÇÃO

A escola constitui-se em importante espaço para formação cidadã de crianças e adolescentes, preparando-os para conviver e atuar em sociedade mediante mecanismos de sociabilidade e integração entre as diferentes visões de mundo. No entanto, o que se percebe é que as práticas violentas manifestadas no espaço escolar são decorrentes do individualismo, da competitividade, da exclusão, da humilhação e desigualdades sociais produzidas na sociedade atual diante do despreparo da comunidade escolar em lidar com estes problemas1.

Considera-se a violência como um fenômeno sócio-histórico, complexo e de natureza diversificada que vem acontecendo em todas as sociedades e afetando os diferentes grupos sociais, sobretudo aqueles mais vulneráveis como crianças e adolescentes. Este fenômeno está intrinsecamente ligado às desigualdades sociais e culturais, sendo ainda determinado por aspectos comportamentais e relacionais2. No âmbito escolar, esta violência vem se intensificando e repercutindo na saúde física, psicológica, cognitiva, espiritual dos adolescentes e demais membros da comunidade escolar, sendo na maioria das vezes, encarada como normalização, o que dificulta o trabalho de conhecimento de suas causas e especificações.

A violência no ambiente escolar tem crescido bastante nos últimos anos e é, inclusive, foco da mídia, apresentando inúmeras situações de conflito, com a luta física por meio de brigas sendo a manifestação mais comum da violência interpessoal3. No entanto, não devemos esquecer a existência de outras formas mais veladas da violência que emergem neste cenário, as quais acarretam peso maior na autoestima do adolescente, no processo ensino-aprendizagem e nas construções pessoais de vida.

Partindo deste entendimento, a literatura científica tem se concentrado no estudo das especificidades que a violência no espaço escolar apresenta, preocupando-se em melhor conceituá-la a fim de subsidiar políticas públicas e propostas de intervenção para seu enfrentamento. Desse modo, apontam-se três dimensões na sua classificação: a "violência na escola", "violência da escola" e "violência contra à escola". A violência contra a escola é relacionada a casos de violência direta contra a instituição escolar, e/ou aqueles que a representam. A violência na escola é aquela que ocorre dentro do espaço escolar praticada pelos próprios atores escolares, com seus comportamentos e relações de convívio. E por fim, a violência da escola é uma violência institucional, simbólica, que os adolescentes sofrem pela forma como a instituição e seus representantes os tratam4.

A preocupação dos autores deste estudo em intervir sobre a violência no contexto escolar resulta da necessidade de somar esforços para a sua compreensão e desenvolvimento de propostas de intervenção de modo intersetorial, diante da complexidade do fenômeno e de como vem impactando a saúde de adolescentes e jovens. Além disso, torna-se preocupação e prioridade urgente da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde de Adolescentes e Jovens com a proposição de diretrizes nacionais que visam estimular o protagonismo juvenil para mudanças no quadro de vulnerabilidades de adolescentes e jovens2 e demais programas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a exemplo do Programa Saúde na Escola (PSE).

Nesta concepção, pesquisas recentes de âmbito nacional e internacional apontam a necessidade de políticas e estratégias voltadas para o diálogo, em que se possam compartilhar dúvidas e curiosidades, alertando adolescentes e jovens quanto às diversas situações de vulnerabilidade, como a violência, vivenciadas nesta fase5,6. Para tanto, a(o) enfermeira(o) necessita despojar-se de uma noção social que caracteriza o adolescente como "rebelde" e "descompromissado", passando a adentrar no "espaço do outro" para conhecer seus costumes, crenças e vivências e, assim, construir ações de cuidado que valorizem a autonomia e a troca de experiências, mesmo em cenários específicos, como a escola. E é neste espaço microssocial que as intervenções e programas sociais podem tornar-se experiências de sucesso, dada sua importância no desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens.

Diante das múltiplas faces e representações que permeiam a violência no espaço escolar, faz-se necessário um trabalho valorativo que dê aos adolescentes o poder da fala, da protagoniza-ação, da expressão artística, como instrumento singular para uma ação educativa comprometida com a consciência crítica da realidade e o empoderamento dos atores envolvidos. Esta estratégia de trabalho, elegendo a escola como lócus propício para ações de promoção à saúde, pode constituir campo profícuo para construção de propostas de prevenção da violência.

Este estudo teve por objetivo realizar uma intervenção educativa com adolescentes para construção do conhecimento coletivo da temática violência no espaço escolar, utilizando a metodologia de Círculos de Cultura.

METODOLOGIA

Trata-se de uma pesquisa-ação, com abordagem qualitativa, fundamentada na metodologia de Círculos de Cultura proposta por Monteiro e Vieira7. O Círculo de Cultura é um lugar onde todos têm a palavra, onde todos leem e escrevem o mundo. É um espaço de trabalho, pesquisa, exposição de práticas, dinâmicas, vivências que possibilitam a elaboração coletiva do conhecimento8, permitindo repensar criticamente as situações-limite que atravessam a experiência da vida.

O Círculo de Cultura como referencial metodológico foi conduzido de modo sistematizado obedecendo à seguinte dinâmica: descoberta do universo vocabular, dinâmica de sensibilização e acolhimento, construção de situações para a problematização (trabalhar a(s) questão(ões) norteadora(as)), fundamentação teórico-científica estimulando a reflexão crítica, síntese do que foi vivenciado e avaliação7.

O caráter dialógico e participativo dos Círculos de Cultura mediando uma ação educativa crítica considerou a formação de pequenos grupos com a participação de 12 adolescentes na faixa etária entre 16 e19 anos, da primeira e segunda séries do ensino médio de uma escola pública de referência, na modalidade semi-integral, da rede estadual da cidade do Recife, no estado de Pernambuco - Brasil. A seleção deste cenário se justificou pelo fato de a escola estar inserida em uma comunidade considerada vulnerável, com elevados índices de homicídios, presença do tráfico de drogas, conflitos violentos entre gangues, expondo principalmente o grupo social de adolescentes e jovens a situações de violência.

Os critérios para seleção dos adolescentes que formalizaram sua intencionalidade em participar da pesquisa-ação foram: estar matriculado e frequentando as atividades pedagógicas regularmente, e ter preenchido uma ficha de inscrição, na qual solicitava ao adolescente expressar o interesse em participar do Círculo de Cultura.

A opção pelo critério de intencionalidade encontra-se alicerçado na proposta da participação livre e espontânea dos adolescentes para composição final da amostra. Fortalecer a "participação espontânea e consciente dos jovens é essencial para o desenvolvimento dos Círculos de Cultura, cuja dialogicidade e conscientização constituem alicerces relevantes deste método"7:71.

A Coleta de dados ocorreu em dois momentos: visitas à escola realizadas no mês de setembro e encontro educativo guiado pelos princípios do Círculo de Cultura realizado em outubro de 2011, e incluiu: observação participante com anotações em diário de campo, registro fotográfico e filmagem e como produção do grupo, teatro de fantoches. Foram quatro visitas, realizadas pelos pesquisadores e alunos de graduação em enfermagem e ocorreram no turno da tarde, com duração de 1 hora. O encontro educativo teve a duração de duas horas e meia, ocorreu nas dependências da escola, e foi mediado pelos pesquisadores.

Para análise, recorreu-se à triangulação de dados, cujo processo refere-se à convergência ou corroboração dos dados obtidos pelos diferentes métodos e técnicas utilizados nas pesquisas visando à qualidade, profundidade e validade da análise qualitativa9. Propôs-se, ainda, ao pesquisador uma análise crítica e ampla na interpretação do material empírico extraído do fenômeno de interesse. Este processo ocorreu mediante descrição minuciosa dos eventos ocorridos no Círculo de Cultura, dos depoimentos dos sujeitos, observações, participações nas discussões, atitudes, experiência das atividades realizadas em grupo com ênfase na produção do teatro de fantoches utilizado para problematização da violência escolar, e o significado da vivência educativa no Círculo de Cultura pelos atores sociais envolvidos. A interpretação do material ocorreu em diálogo com a literatura pertinente à temática em um movimento crítico-dialético.

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Pernambuco, com protocolo de nº 076/11 e registro CAAE: 0062.0.097.000-11. Em consonância com a Resolução de nº 466/2012, que trata de pesquisas envolvendo seres humanos, foi obtida a anuência dos pais ou responsáveis e dos adolescentes, mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. A privacidade dos adolescentes foi preservada mediante a utilização de pseudônimos, os quais foram escolhidos pelos adolescentes por representarem características pessoais, durante realização de uma dinâmica de apresentação e descontração.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Visitas à Escola - Levantamento do universo vocabular

A etapa da descoberta do universo vocabular dos adolescentes compreendeu o primeiro momento, por meio das visitas à escola com observação do espaço social e conversas com os membros escolares e participação nas atividades recreativas dos adolescentes. Esta postura aproximou e estimulou o contato prévio individual com o grupo.

Assim, foi possível apreender o espaço social de vivência dos adolescentes, conhecendo seus gostos, preferências, hábitos, histórias e experiências de vida, bem como o modo como se relacionam com outros. Este momento foi primordial haja vista a necessidade de conduzir uma prática educativa em que o aprender se torne um ato de conhecimento da realidade concreta, ou seja, da situação real vivida pelo grupo de adolescentes, como resultado de uma aproximação crítica dessa realidade.

Foram identificados alguns pontos críticos quanto à vivência no cotidiano escolar, e que influenciam a exacerbação da violência em suas diferentes formas: qualidade do ensino e preparo do corpo docente para lidar com situações de conflito, estrutura e recursos físicos da escola, bem como as relações sociais.

Encontro Educativo com Círculo de Cultura - Relacionamento e convívio no ambiente escolar

O Círculo de Cultura teve início com o jogo do toque, uma dinâmica de sensibilização, de modo grupal, caracterizada por movimentação corporal em um processo de interação bastante agradável entre as pessoas. A dinâmica iniciou com a dispersão dos adolescentes no interior da sala, solicitando que ficassem bem à vontade e relaxados. Ao som de uma música animada e alegre, os adolescentes circulavam no espaço, e ao sinal do animador, eles deveriam tocar um colega: 1 - braço com braço, 2 - pé com pé, 3 - braço com perna, 4 - queixo com ombro, 5 - costa com costa. Essa dinâmica teve o objetivo de auxiliar a descontração, proporcionar o contato entre os adolescentes de forma agradável, possibilitando sentir e perceber o outro por meio do toque. Percebemos que o grupo ficou bastante eufórico com o momento, demonstrando ampla interação durante a realização da dinâmica, sorrisos, gritos, beijos e um grande abraço coletivo ao final.

Com o grupo já aquecido, seguimos com o momento da problematização, em que foi solicitado a cada participante descrever individualmente, em uma folha de papel ofício, uma determinada vivência: Conte uma situação problemática vivida na escola e que mais o chamou a atenção. Em seguida, os adolescentes foram divididos em dois grupos, onde eles deveriam, a partir da descrição individual realizada, observar as semelhanças e diferenças do conteúdo expresso por cada um, e, a partir daí construir uma história. Com as histórias em mãos, os adolescentes foram mobilizados a apresentarem o conteúdo sob a forma de uma peça teatral com fantoches (Fotografia 1).

Fotografia 1. Teatro de fantoches sobre o convívio e relacionamento no ambiente escolar, elaborado pelos adolescentes durante o Círculo de Cultura

O grupo teatral intitulou sua história como: "Rotina na minha escola - agressão". Na encenação, os adolescentes apontaram atitudes de delinquência juvenil, verificada por meio de atos de violência verbal e física contra professores, funcionários e outros alunos; evidenciado por atitudes desrespeitosas e agressivas. Ainda foi relatada a disposição prévia para agressão física entre grupos de turmas diferentes; consumo de tabaco e outras drogas por adolescentes dentro da escola; tolerância por parte da gestão escolar diante da violência expressa pelos alunos; e situação de preconceito da instituição escolar contra alguns homossexuais.

Foi identificado que os dois grupos de adolescentes, divididos inicialmente para construção de suas histórias, tiveram convergência quanto aos temas centrais trabalhados, existindo também uma complementaridade do conteúdo, por meio da elaboração e recriação de situações-problema vivenciadas no cotidiano escolar. O objetivo dessa atividade lúdica foi de despertar nos participantes a capacidade criativa de pensar, refletir, arquitetar, lapidar, manipular e agir diante de um problema por meio da arte e da brincadeira, o que mostrou ser uma eficiente peça desse jogo educativo para ações de enfermagem junto a adolescentes escolares.

O lúdico é uma das essências da vida humana que instaura e constitui novas formas de fruir a vida social, marcadas pela exaltação dos sentidos e das emoções, misturando alegria e angústia, relaxamento e tensão, prazer e conflito, liberdade e concessão. Assim sendo, torna-se importante que a(o) enfermeira(o) trabalhe de forma criativa e lúdica, pois a atividade lúdica serve de mediação entre o mundo relacional e o mundo simbólico, mundos nos quais se insere todo o comportamento humano10.

A expressão cênica por meio do teatro constitui ferramenta de inovação e renovação para a prática de enfermagem nas ações de educação em saúde, criando uma atmosfera de acolhimento e de aprendizado mútuo, na superação de medos, resistências11 e limites da fala impostos pela realidade de violência.

Por meio dos personagens criados a partir dos fantoches, os adolescentes encenaram formas de violência e teceram uma apreciação crítica e reflexiva desta realidade, como se constata nos seguintes relatos:

Todos os dias praticamente ocorre isso que a gente mostrou na peça [...] Acho que até as pessoas já se acostumaram (Vida).

Eu considero essas atitudes como vandalismo, que é uma violência dentro da escola porque destrói o patrimônio público [...] ás vezes a gente tem medo de contar quem destrói e quebra as coisas na escola [...] são sempre as mesmas pessoas que fazem isso [...] (Estudioso).

Acho que hoje em dia não existe mais respeito entre aluno e professor como antes [...] (Amor).

Tem uma determinada professora aqui que todo mundo maltrata ela [...] teve uma vez mesmo que ela até chorou dentro da sala de aula (Esperança).

Alguns professores tem medo de reclamar com certo aluno que perturba ou fala palavrão na cara dele, pois muitos deles já foram ameaçados aqui [...] (Amizade).

Teve uma situação que eu também já fui ameaçado de morte, por causa de um trabalho da escola que eu fiz sobre violência em torcida, ligaram lá para minha casa e minha mãe ficou muito nervosa [...] (Coragem).

Outra coisa que a gente sabe que tem e falamos na apresentação é o bullying, que é caracterizado com o uso de violência, com agressão, apelidos e quando você se sente excluído de um grupo, isso é pior que uma agressão física [...] (Criatividade).

Teve a questão do preconceito como a homofobia e isso querendo ou não também é bullying [...] isso tem que ser falado não só na escola, mas em casa e na rua (Perfeccionista).

Acho que falta um pouco de atitude da direção da escola, as coisas não devem ficar por isso mesmo, ou porque devem simplesmente acontecer (Alegria).

Os adolescentes em suas falas revelaram um cenário preocupante, em que a violência no contexto escolar aparece na forma de desrespeito, agressões, preconceito, exclusão e indiferença ao outro, mediando às relações interpessoais e criando um padrão de sociabilidade entre os sujeitos, o que a faz se estabelecer como norma social. Essas práticas são definidas pelos valores, regras e princípios sociais produzidas pelos diferentes membros escolares, professores, alunos, gestores, funcionários. "As diferenças são produzidas socialmente e se vinculam às relações de poder que permitem incluir ou excluir pessoas, demarcar fronteiras, diferenciar entre o nós e o eles"12:16.

Um fenômeno destacado nas falas foi a naturalidade com que alguns adolescentes encaram os atos violentos na escola, pois a medida que estes se tornam cada vez mais frequentes no cotidiano, muitas vezes fica difícil reconhecer aquilo que é violento do que não é violento, mesmo aqueles pequenos atos. Esta realidade concorre para certa aceitação desse fenômeno dentro da escola, banalizando-o, o que contribui para atitudes de incivilidades em níveis mais graves e de ameaça à vida.

O investimento contra o patrimônio, levantado pelos adolescentes, foi caracterizado por depredações de equipamentos e material escolar; pichações de muros, paredes, salas de aula; desperdício de alimentos da merenda e deixar sujeira no pátio e é denominado violência contra a escola, que se apresenta como atos de vandalismo e de agressões contra o patrimônio público13.

Foram verificadas nos depoimentos dos participantes algumas dificuldades de relacionamento com o professor, culminando em atitudes desrespeitosas e agressões verbais e físicas. A falta de respeito mútuo afigura-se como o ponto mais crucial das relações que se instituem entre os atores escolares, acarretando ações de reciprocidades que, em determinadas situações, reforçam os cenários de violência. Percebe-se, ainda, que muitos desses entendimentos seriam facilmente evitáveis, e estão relacionados ao desejo dos alunos por relações mais respeitosas14.

Diante da falta de limites de alguns alunos quanto às situações de violências relatadas, destaca-se a ação de grupos, liderados por outro(s) aluno(s), desencadeando uma atmosfera de medo e insegurança por meio de ameaças contra professores, profissionais e demais alunos, caso os atos sejam denunciados quanto a sua autoria e os responsáveis tenham que responder junto à direção da escola.

Foi evidenciada nas falas dos adolescentes uma apreensão bastante significativa do conceito de bullying e de sua intensa presença no conviver escolar de hoje. O exercício do bullying revela pequenas "violências cotidianas", "microvitimizações" ou "incivilidades", exercidas em uma relação de poder em que alguns alunos estão fragilizados, em virtude de certas características pessoais, de certas diferenças15. Caracteriza-se, ainda, por atos repetidos de opressão, discriminação, intimidação, xingamentos, apelidos, chacotas, abuso de poder, agressão a pessoas ou grupos, propiciando uma vida de sofrimento, estresse e medo para uns e de conformismo para outros16.

Diferentemente da violência física, que chama mais a atenção, a violência silenciosa, implícita, camuflada, velada, pode ser tão ou mais cruel do que a física, pois se manifesta por meio da repressão e da privação do direito de ser e de pensar diferente dos demais1.

Em pesquisa nacional que objetivou dimensionar a ocorrência de situações de constrangimento entre adolescentes nas escolas das capitais brasileiras, constataram-se prejuízos sobre o processo de aprendizagem dos alunos e a insegurança na escola. O referido estudo ressalta que tanto vítimas quanto agressores perdiam o interesse pelo ensino, não se sentiam motivados a frequentar as aulas e nem seguros na escola diante da ocorrência do bullying, portanto, descaracterizando a escola enquanto espaço de proteção e aprendizagem3.

Neste contexto o bullying associa-se a situações de homofobia, como referiu uma das depoentes. A estas atitudes por meio do xingamento e da representação de atos motores da pessoa, gestos e fala estereotipada, a literatura científica caracteriza como um tipo de bullying homofóbico17.

A importância de ações socializadoras comprometidas com valores sócio-culturais, compondo as práticas pedagógicas na escola, contribuem para sensibilizar e ampliar a visão dos educandos quanto às questões da pluralidade humana. Ressalta-se que a inclusão dessa pauta na agenda escolar é quase inexistente, e, quando a interação com o desconhecido, o diferente e o não padrão não é problematizada, as relações interpessoais são pautadas por conflitos, confrontos e violência18.

Essas questões devem ser compartilhadas e democraticamente trabalhadas na escola, família e comunidade, permitindo aos adolescentes construírem experiências escolares sem a presença da violência. Não há mais espaço para a ignorância sexual, agressões, homofobia e não reconhecimento da diversidade sexual e cultural17.

Um fato interessante apontado pelos adolescentes foi a cobrança quanto ao papel da gestão escolar que deveria envolver-se e acompanhar à dinâmica escolar, imprimindo novos elementos à prática de identificar e compreender as manifestações da violência em seu cotidiano com o intuito de combatê-las. Contudo, esta tentativa de restabelecer uma nova ordem deve ultrapassar ações disciplinares rígidas com punições, expulsões, envolvimento da polícia e imposição de regras de convivência, capaz de produzir uma violência institucional que exclui aqueles que parecem inadequados a esta nova ordem. Os aspectos estigmatizadores e de exclusão que provêm dessa postura fazem parte de nossa atualidade da escola, e estão no centro do conflito, motivando atitudes de afronta por parte dos alunos14.

A compreensão da interface entre escola e as práticas de violências passa pela reconstrução da complexidade das relações sociais no espaço escolar. Desse modo, o clima que deve se instaurar dentro deste ambiente é de uma prática de negociação de diferenças e mediação de conflitos, criando responsabilidades entre os próprios membros da escola com o desenvolvimento de um ambiente solidário, humanista e cooperativo19.

De modo a articular os saberes dos adolescentes, contextualizando sua realidade com a literatura científica, foi iniciado o momento de leitura de um texto científico adaptado: As sutilezas das faces da violência nas práticas escolares de adolescentes, de autoria de Camacho20. Os participantes realizaram a leitura espontânea e atentamente, navegando pelas linhas que compunham tal rico conhecimento.

Em seguida foram apresentadas as seguintes reflexões mediante esta leitura:

[...] é importante saber que a educação não vem só dos familiares, mas também da escola e que o que você faz fora, pratica e aprende lá fora, você também vai praticar na escola, como vandalismo, agressões físicas e verbais contra os colegas e possivelmente um dia contra seus próprios pais também (Coragem).

Algumas violências são invisíveis [...] e são estas que são difíceis de combater (Superação).

Temos que aprender a lidar com os conflitos, e a escola e a família tá ai pra isso [...] (Amizade).

Ao apreciar o depoimento dos adolescentes, evidenciou-se a elaboração de um profundo pensamento crítico, colocando a violência existente na escola como resultado de ameaças presentes no contexto social da qual faz parte. Ou seja, implica dizer que a violência é um fenômeno que "se origina na sociedade e se reflete na escola, cujo dinamismo é "de fora para dentro". E é dentro deste quadro que a instituição escolar "tem dificuldade de identificar formas de violências geradas pela própria escola, não vendo a cultura escolar como fonte de produção e reprodução de violências"21:142.

Esta realidade pôde ser observada quando os adolescentes apontaram na peça teatral o consumo do tabaco, maconha e outras drogas ilícitas utilizadas por alguns alunos nas dependências da escola, como no pátio e banheiros. Esta ação provém da presença do tráfico de drogas e da forma que este influencia as comunidades urbanas circunvizinhas às escolas. Vale ressaltar que este tipo de violência, manifestada na escola, refere-se àquelas produzidas fora da escola e que atravessam seus muros4.

Os valores sociais que se disseminam na escola e não vão subsidiando as práticas pedagógicas favorecem a formação de preconceitos, estigmas, conflitos. Portanto, é essencial que se analisem as práticas, valores e informações que são veiculados no âmbito escolar, buscando o desvelamento, e não o acobertamento dos atos discriminatórios e de intolerância que podem gerar violências entre os adolescentes e jovens no contexto escolar e entre estes e os adultos12.

No momento de síntese foram retomadas as discussões tecendo considerações sobre a importância de reconhecer as potencialidades do ambiente escolar, que mesmo sendo responsável pela geração de violências tem a capacidade de combatê-las, estimulando seus atores a renunciar a violência mediante a construção de um espaço dialógico transformador que conduza a formação cidadã e ao espírito inclusivo das coletividades locais com a instituição escolar. Esta postura permite mobilizar recursos para questionar verdades estabelecidas, desnaturalizar práticas banais, problematizar as ações cotidianas, enfrentando, juntos, o desafio de pensar alternativas para que outros modos de funcionamento se instituam no cotidiano da escola22:468.

Assim, faz-se necessário que a escola se mostre para a sociedade, comprometendo-se e sensibilizando-se com a problemática da violência, pois esta escola não se encontra em um espaço isolado da sociedade, como uma ilha, distante dos seus problemas. É preciso superar o desenvolvimento de uma pedagogia que escamoteia o conflito, impedindo que as contradições apareçam, negando a realidade e que prepara para um mundo que não existe, ou melhor, não prepara para o que o existe16.

O momento de avaliação consistiu no registro de depoimentos quanto à percepção que a experiência vivenciada despertou no grupo, como pode ser assim apreciado nas falas a seguir:

Eu gostei, porque em um momento voltamos a ser crianças [...] principalmente para mim que não tive tanta infância, pois eu morava com meu pai em São Paulo, e é uma cidade muito grande, eu ficava mais em casa, pois meu pai tinha medo de eu sair na ruas (Criatividade).

Foi ótimo, maravilhoso, eu só percebi todo mundo meio tenso, sem querer falar demais, porque esses temas que trabalhamos é difícil de se falar (Alegria).

A oportunidade de utilizar o teatro de fantoches como ferramenta para a problematização permitiu trazer em cena o concreto da vida, atraindo a atenção do grupo, promovendo momentos de descontração, alegria e desinibição, estabelecendo conexões dialógicas e fazendo com que os adolescentes se apropriassem do conteúdo e o transformassem em conhecimento, bem como estimulou o resgate de habilidades e talentos pessoais e grupais.

Como tecnologias de educação em saúde, o Círculo de Cultura e o Teatro de Fantoches podem ser estimulados nas práticas de cuidado das(os) enfermeiras(os); os Círculos porque favorecem o estabelecimento de vínculos e o desenvolvimento do potencial dialógico, crítico e reflexivo; o teatro porque configura-se em estratégia capaz de entreter, representar ideias e atitudes comportamentais da vida diária10, o que permitiu vislumbrar novos caminhos e alternativas para a construção do conhecimento e reflexão crítica da realidade sem perder de vista a singularidade do ser adolescente.

Assim, foi possível perceber no relato de Alegria que, mesmo com a dificuldade de suscitar debates acerca da temática em questão, a experiência vivenciada reafirmou os princípios da educação crítica e libertadora, potencializando os adolescentes na construção e (re)construção nos modos de ser, estar e de se relacionar com o mundo articulando possibilidades de crescimento e desenvolvimento físico e emocional.

No trabalho com o público adolescente é necessário haver comprometimento, confiança neste grupo, ouvi-los em sua sabedoria e, acima de tudo, permitir adentrar no novo, viajar com o grupo, proporcionando conhecer a concretude existencial humana em seus atos de criar e recriar diferentes realidades. Partindo deste caminho, é notória a valorização de atividades culturais, de recreação, lazer e socialização dos grupos como estratégia de promoção de autoestima, aprendizado no estabelecimento de relações sociais, como propostas essenciais nas ações educativas das(os) enfermeiras(os) na promoção à saúde dos adolescentes23.

Partindo do entendimento da educação em saúde como principal instrumento da promoção à saúde e de suas inúmeras possibilidades criativas para o exercício da cidadania, observa-se que tal prática tem adquirido pouca participação nos sistemas de cuidado à saúde. Portanto, destaca-se a necessidade de as(os) enfermeiras(os) receberem educação permanente que abranjam novas possibilidades metodológicas para o exercício da educação em saúde24, bem como novas formas de intervir na realidade de saúde dos adolescentes em seus diversos contextos de vulnerabilidades.

No contexto deste estudo, ações embasadas na promoção à saúde, mesmo que locais, permitiram aproximar escola e enfermeiras(os) "do problema violência e dando início a ações com potencial transformador, resgatando, assim, a constituição do espaço escolar como lócus seguro e agradável para a aprendizagem"1:521.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O desenvolvimento deste estudo possibilitou realizar uma intervenção educativa com adolescentes sobre a violência no espaço escolar. Trabalhar com esta temática complexa junto a adolescentes demandou uma postura sensível, acolhedora, dinâmica, inovadora no processo de construção e desconstrução de pensamentos e atitudes, e, neste processo o Círculo de Cultura emergiu como estratégia de educação em saúde para enfermagem, proporcionando participação ativa dos sujeitos, reflexão crítica da realidade com o compromisso político para a sua transformação.

Nos momentos das visitas, com a descoberta do universo vocabular dos adolescentes, foi evidenciado que as diversas formas de violência que surgem no espaço da escola, onde os adolescentes passam a maior do tempo, podem ser consideradas produto da violência social que assola a sua comunidade e ultrapassa os muros da escola, intensificando e manifestando novas formas de se relacionar com o outro.

Durante o caminhar metodológico do Círculo de Cultura, foi possível adquirir a confiança do grupo, fortalecer o envolvimento e a interação entre animador e participantes, permitindo trabalhar sentimentos como timidez, insegurança, vergonha de falar, e despertando em cada adolescente a reflexão crítica da realidade. Esta postura foi essencial para o trabalho educativo diante da complexidade que envolve a temática violência e suas inúmeras faces e representações que assumem na vida de cada adolescente.

Depreende-se que o lúdico, enquanto atividade de recreação, divertimento que estimula o indivíduo a viajar pela imaginação, foi um recurso educativo bastante proveitoso dada a dimensão do fenômeno da violência e os limites que a mesma demarca. Assim, os adolescentes sentiram-se livres, descontraídos, superando desafios, assumindo posturas de denúncia e o compromisso político ante uma realidade passível de ser transformada.

Os adolescentes demonstraram-se incomodados com as situações de violência ocorridas na escola, as quais, segundo eles, vêm se tornando muito frequente, deixando não só marcas físicas, mas principalmente prejuízos emocionais, que influenciam no aprendizado dos adolescentes e nas relações sociais e familiares.

Foi revelado pelos adolescentes que a violência no espaço escolar manifesta-se de forma visível, por meio de atos de ameaças contra outros alunos e professores, agressão interpessoal, verbal, principalmente entre os alunos, mas também do professor contra o aluno, e contra os equipamentos e materiais da escola. Também foi observada a presença da droga no ambiente escolar, e, de forma invisível, mediante as práticas do bullying, situações de homofobia e tolerância da gestão escolar diante das situações vivenciadas. Desse modo, percebe-se que a escola, por estar localizada em uma comunidade que atinge altos índices de violência, não está livre de que os problemas do entorno penetrem em seu espaço, tampouco, que suas práticas se disseminem no seio familiar.

É dentro de uma proposta intersetorial que o papel do profissional enfermeiro ganha força, ao engajar-se na luta que venha garantir um cuidado que contemple o adolescente em sua integralidade, promovendo a efetivação das políticas públicas no enfrentamento da violência. Espera-se, neste contexto, que sejam incorporadas ao agir profissional as ideias de promoção à saúde para mudanças nas ações de enfermagem que primem pela autonomia dos sujeitos e a conquista da cidadania, permitindo, ainda, ampliar os cenários de atuação com o desenvolvimento de espaços emancipatórios de cuidado.

Na conclusão deste estudo ficou clara a necessidade de fortalecer as articulações em rede para o trabalho de prevenção à violência no espaço escolar, pois a escola sozinha fica impossibilitada de abarcar com a dimensão social da violência, o que resta, portanto, a invisibilidade do problema. Assim, torna-se primordial a integração com as unidades de saúde, universidades, lideranças comunitárias, igrejas e outras organizações da sociedade para um trabalho horizontal em defesa da coletividade livre da violência.

Finalmente, a aplicação do Círculo de Cultura nas pesquisas na área da saúde e da enfermagem envolve oportunidades e desafios. Oportunidades no sentido de possibilitar novos percursos metodológicos na busca do conhecimento. E desafios no sentido de viabilizar novas faces para a qualificação do cuidado em saúde e enfermagem comprometido com a autonomia e o bem-estar social.

REFERÊNCIAS

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ª Edital Universal CNPq 14/2011 (482064/2011-0) - Políticas Públicas e intervenção de enfermagem na promoção à saúde do adolescente no cenário escolar.

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